Darth Otavinho
25 janeiro 2013

Ontem à tarde cerca de 30 entidades e 200 pessoas estiveram na audiência pública com os secretários municipais dos Direitos Humanos (Rogério Sotilli) e da Promoção da Igualdade Racial (Netinho de Paula) para relatar os repetidos casos de mortes de jovens pobres (quase todos pardos ou negros) na periferia paulistana. O encontro foi no parque Santo Dias, ao lado do metrô Capão Redondo, e contou ainda com a presença do coordenador da Juventude da Prefeitura, Gabriel Medina, o vereador Paulo Reis e o deputado estadual Adriano Diogo, presidente da comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

Foram mais de duas horas de cobrança de providências das autoridades presentes, críticas ao governo estadual e à atuação da polícia. Pouco depois do final da audiência, a secretaria estadual de Segurança Pública convocou a imprensa para anunciar a prisão de 6 PMs que estariam envolvidos na primeira chacina do ano, quando sete jovens fora executados no Jardim Rosana, em uma rua a menos de um quilômetro de onde aconteceu o encontro entre a comunidade e os secretários. A articulação para que a audiência acontecesse foi dos movimentos sociais e culturais da Zona Sul, e foi permeada pela cultura –houve um sarau no mesmo local, assim que acabaram as falas. Vale lembrar que o ato começou a ser noticiado na quarta-feira nas redes sociais e que o governo do Estado (como tantos outros) tem uma equipe de comunicação que monitora as redes sociais.

Netinho: “A PM mata jovens negros e pobres”

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Secretários ouvem relatos de violência no parque Santo Dias, Capão Redondo (Foto/Fora do Eixo)

A fala mais contundente dentre as autoridades presentes foi a do secretário Netinho de Paula, que concordou com as acusações feitas contra a Polícia Militar: “Sempre foi a PM quem matou de forma desigual, aqui na zona Sul, os jovens negros, os pobres da periferia. Falo isso com muita tranquilidade porque um próprio comandante da PM [em caso recente em Campinas] diz que pardos e pretos devem ser abordados. Esse é o resultado do pensamento da PM, sempre foi, não muda nada. Foi assim que perdi meu irmão e muitos amigos”. Netinho ainda conclamou todos a irem “em caravana” falar com o governador Geraldo Alckmin.

Diversos veículos de imprensa forma à audiência pública. As coberturas mais significativas foram da Rádio Brasil Atual, TV Brasil, e Estadão. Mas noticiaram ainda o audiência pública UOL, Fora do Eixo, Portal da revista Exame, MSN Notícias e Portal Vermelho, entre outros. A Folha esteve presente com repórter e fotógrafo, mas nada noticiou. A audiência foi transmitida ao vivo pela #posTV, e aqui você pode rever na íntegra (abaixo, as boas coberturas da Rádio Brasil Atual e da TV Brasil).

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A audiência foi aberta com uma homenagem às mães e pais dos mortos nas execuções na periferia, e em seguida, vieram os membros da comunidade: Paulo Magrão, fundador da ONG Capão Cidadão e militante histórico da região, fez a primeira fala, relembrando do motivo da audiência, e que tudo começou com a passeata dos moradores em protesto contra a chacina do começo do ano. Rafael Mesquita, da agência Solano Trindade, cobrou das autoridades uma forma de governar mais conjunta com a população e finalizou: “Vejo o Haddad falando que vai governar PARA o povo. Já estamos cansados disso, queremos que o prefeito governe COM o povo e não só PARA o povo”. Douglas Belchior, da UneAfro e do Comitê Contra o Genocídio da População Negra, que listou uma série de reivindicações antigas do movimento Negro para acabar com as matanças e que nunca foram atendidas pelo governo do Estado. Terminou, sob aplausos, pedindo o impeachment do governador Geraldo Alckmin.

Estiveram presentes no ato, entre outras, represntantes das seguintes entidades: União Popular das Mulheres, Capão Cidadão, Agência Cultural Solano Trindade, Banco Comunitário União Sampaio, Círculo Palmarino, UneAfro, Comitê Contra o Genocídio da População Pobre e Negra, Fora do Eixo, Existe Amor em SP, #posTV, Ministério da Cultura, Movimento por Moradia, Tortura Nunca Mais, mandatos dos deputados Rui Falcão e Leci Brandão, mandatos dos vereadores Alfredinho, Paulo Fiorilo e Toninho Vespoli, Parque Santo Dias, Subprefeitura do Campo Limpo e Quadra do Dora.

1 Comentário

  1. Wlademir Jose camillo
    21/02/2013

    Apoio veementemente qualquer ação para punir Policiais com desvio de conduta, apoio ainda que nos casos de crime envolvendo patrimonio, entorpecentes, sejam presos em Cadeias Publicas junto com criminosos comuns. Os presidios da Policia devem abrigar os presos que cometeram crime no exercicio da função. Gostaria tembem de sugerir que os orgãos e personalidades identificados na materia, atuem com rigor nas denuncias contra a má administração de escolas e hospitais, alem de denunciarem e cobrarem das autoridades publicas um melhor atendimento ao povo nos orgãos publicos, no que se refere a horario de atendimento, educação, conhecimentoo do assunto, e continuidade na solução. Gostaria tambem que os pais de delinquentes, ou eles proprios pagassem pelos prejuizos causados nas vitimas. Nos casos de morte o preso deveria trabalhar para sustentar a familia da vitima. O que acham da ideia, gostaram!!!!, não né, não vai dar ibope pra ninguem. Bom vou continuar a trabalhar pagar meus impostos,o que sobrar sustento minha familia, caso o Sr ladrão não leve tudo. Que patifaria!!!

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