Darth Otavinho
27 fevereiro 2011

Como eu não tive saco de ler os dois cadernos especiais inteiros da Folha sobre seus 90 anos, não tinha visto isso, mas alguns leitores me avisaram e merecia o registro positivo (sério!) para o jornal que, finalmente, admitiu que apoiou a ditadura militar, inclusive com recursos materiais, por vários anos. Claro que não foi assim uma mea culpa gigante e detalhado e a admissão chega quase meio século atrasada, mas já é alguma coisa. Leia o que foi publicado após a imagem abaixo.

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Carro que o jornal cedia para o uso da repressão militar e que acabou incendiado por militantes de esquerda (essa foto não saiu na Folha)

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A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.

(…) O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.

(…) A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.

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Protesto na porta da empresa quando o jornal classificou em editorial o regime brasileiro de "Ditabranda"

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Confira a íntegra do que o jornal publicou no caderno especial no item 4, “O papel na ditadura”.

E aqui o texto comentado por gente que trabalhou lá na época.

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Primeira página, digamos, comprometedora

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Diz o lide do texto da manchete acima (aqui essa primeira página ampliada): A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da pátria para defender a Constituição e os princípios democráticos, dentro do mesmo espírito que ditou a revolução de 1932, originou ontem o maior movimento cívico já observado em nosso Estado: a “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”.

Obs: Otávio Frias de Oliveira, pai de Otavinho e Luis Frias, hoje os donos do Grupo Folha, foi combatente voluntário na chamada revolução de 1932, que tentou derrubar o governo de Getúlio Vargas. Talvez daí a menção ao movimento no texto acima (Otávio Pai era então o diretor do jornal).

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A Folha da Tarde, do mesmo Grupo Folha, era ainda pior. Aqui a primeira página do jornal quando os militares assassinaram Bacuri, talvez o caso mais horroroso de tortura no Brasil

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Desculpem a leve cagação de regra, mas por essas e por outras, os jornais têm que ser usado com muito cuidado e de forma absolutamente crítica na hora de contar a história de um país…

8 Comentários

  1. 09/03/2011

    é muito interessante essa parte do texto da folha. é muito representativo da relação estado-imprensa no brasil. incrível que eles mesmos tenham publicado isso. dado o nome aos bois, golbery do couto e silva inventou a folha de são paulo de hoje…

    “5 – SURFANDO A ONDA DA ABERTURA

    No início de 1974, Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, foi procurado por Golbery do Couto e Silva, futuro chefe da Casa Civil do governo de Ernesto Geisel, prestes a tomar posse.

    Os dois militares seriam os principais artífices do projeto de distensão e abertura política, e Golbery encontrou-se com donos de jornais para expor o plano. Sabendo que enfrentaria a resistência da linha dura, queria a imprensa como aliada natural.

    No caso da Folha, Golbery deixou claro que ao futuro governo não interessava ter um único jornal forte em São Paulo. A conversa coincidiu com discussões internas na empresa, com vistas a aproximar a Folha da sociedade civil. A empresa tinha saldado as dívidas iniciais e se expandido. O passo seguinte seria transformar o matutino num jornal influente.

    Em meados de 1974, uma reunião em Nova York entre Frias, Cláudio Abramo e Otavio Frias Filho foi decisiva para a definição da nova estratégia. Sob a inspiração de Frias pai, uma ampla reforma editorial foi concebida e executada nos anos seguintes por Abramo, que trabalhava na Folha desde 1965. As páginas 2 e 3 se tornaram espaços de opinião crítica. Passaram a fazer parte da equipe editorial colunistas renomados, como Paulo Francis e, mais tarde, Janio de Freitas.

    A trajetória teve um desvio em 1977, quando, por pressão da linha dura do governo, Abramo foi afastado de seu cargo. O revés, no entanto, seria passageiro. Boris Casoy, que o substituiu, manteve a orientação e garantiu que o jornal tivesse um espaço relevante no processo de redemocratização.”

  2. 07/03/2011

    aliás, a fama da FSP tá tão ruim que até na wikipédia (que costuma ser bem conservadora), o caso já apareceu: http://en.wikipedia.org/wiki/Folha_de_S._Paulo#Falha_website

  3. 07/03/2011

    ricardo, rapaz, quando você sair do seu mundinho “morumbi-leblon-higienópolis”, me dá um toque, que eu te mostro o brasil de verdade.

    enquanto isto, deixa de usar drogas, rapaz! joga fora sua coleção de Folhas e Vejas, são alucinógenos perigosos!

  4. Ian
    05/03/2011

    antonio barbosa filho 04/03/2011 Ricardo, meu menino, trate de estudar um pouco mais. Caos econômico nós vivemos aqui mesmo, e não faz muito tempo: volte à década de 80.
    Sabia que os juros no governo FHC eram de 45% ao mês? Sabia que o confisco da poupança feito pelo Collor nem o Fidel fez em Cuba, no auge da Revolução?
    Depois que você estudar um pouquinho, a gente volta a conversar.
    Saudações democráticas, meu jovem!
    __________________________________________________________

    Da um desconto para ele, porque aparantemente ele apenas fala por falar, eu procuro filtrar muito dos comentários que leio desse menino por aqui.

    Abraço

  5. Ricardo, meu menino, trate de estudar um pouco mais. Caos econômico nós vivemos aqui mesmo, e não faz muito tempo: volte à década de 80.
    Sabia que os juros no governo FHC eram de 45% ao mês? Sabia que o confisco da poupança feito pelo Collor nem o Fidel fez em Cuba, no auge da Revolução?
    Depois que você estudar um pouquinho, a gente volta a conversar.
    Saudações democráticas, meu jovem!

  6. Eu não tinha visto esta capa sobre o assassinato do Bacuri. Ganhou todos os prêmios de infâmia, entre tantos que a Folha da Tarde e demais órgãos ditos de “imprensa” poderiam merecer!
    Nunca vi algo tão nojento, em mais de 30 anos de jornalismo.

  7. Ricardo
    01/03/2011

    Pelo que sabemos das pessoas que viveram aquela época a grande maioria pedia sim a intervenção dos militares. Era o que podia ser feito para evitar que estivessemos hoje vivendo ditaduras sanguinárias e caos econômico como Cuba e outras porcarias da esquerda.

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