Darth Otavinho

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22 fevereiro 2011

Chega. Não aguento mais ouvir as pessoas falarem que a culpa é de São Pedro, que nunca choveu tanto, que choveu X% do previsto pro mês tal em tantas horas… É TUDO BALELA. Chove pacaralho todo verão aqui em São Paulo desde quando essa região era habitada só pelos índios anhangabaús e tamanduateís. Então vamos falar umas verdades, mas só algumas, porque tem muito mais:

Não tem desculpa pra metade dos faróis da cidade estarem queimados // Não tem desculpa pros bueiros estarem todos entupidos em pleno verão // Não tem desculpa pra não contratar equipes extras já que orçamento de São Paulo hoje é o triplo do que era no governo Marta // Não tem desculpa pra não ter resolvidos pontos de alagamentos clássicos como o final da av. Pompéia, o parque da Aclimação e tantos outros // Não tem desculpa pra gastar bilhões pra aumentar a área de cimento e asfalto do lado do Tietê, com a tal “nova marginal”, e agora o rio voltar a transbordar// Não tem desculpa se você está no governo do Estado há duas décadas // Não tem desculpa se foi você que deixou de “presente” pra cidade o pior prefeito de sua história. NÃO TEM DESCULPA! CHEGA!

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KASSAB, PEDE PRA SAIR! SERRA, NÃO PEDE PRA VOLTAR!

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O curioso é que o cara da foto é o louquinho tradicional do parque, tá todo dia lá cantando, alheio ao mundo. Enfim, só sendo meio pancada pra ir na enxurrada Serra-kassabiana

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Por favor sigam a dica do prefeito

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Essa é a minha rua. Esse rio é o transbordamento de ontem do lago do parque da Aclimação, o segundo em seis dias

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Apê com vista pra incompetência Serra-kassabiana: seta à direita mostra o lago do parque da Aclimação, a da esquerda, a mancha de água marrom onde já teve um belo campo de futebol, agora destruído; oculto pelos telhados, está o rio que aparece na foto anterior

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São Pedro: "por favor me incluam fora dessa"

25 janeiro 2011

Por Lino Bocchini

O que o ministro da Educação Fernando Haddad, o economista Márcio Pochmann, o urbanista Jorge Wilheim, o ativista Sérgio Amadeu, o empresário Alexandre Youssef, João Sayad e alguns dos melhores quadros políticos do PT e do PC do B, como Rui Falcão, Carlos Zarattini, Nádia Campeão, Arlindo Chinaglia e Paulo Teixeira tinham em comum? Todos integravam o governo Marta Suplicy, que assumiu a Prefeitura em 2001, logo após oito anos da hecatombe Maluf-Pitta. Também estive nesse barco. Foram, aliás, os únicos 4 anos de minha vida em que trabalhei com política –os outros 13 foram no mercado, no Grupo Folha, Abril etc. Foi o suficiente para eu ser taxado/desqualificado como “petista” pro resto da vida, inclusive e principalmente agora, nessa polêmica Folha X Falha.

Como se um filiado ao PT (o que não é meu caso) não pudesse criticar um jornal ou pensar por si só, mas tudo bem, segue o texto. O aniversário de São Paulo é uma boa oportunidade de lembrar a melhor administração municipal que já tivemos. Acompanhei bem de perto o trabalho dessa turma citada aí em cima. Eu trabalhava no Banespinha, a poucos metros da sala de Marta, ao lado do secretário de Governo Rui Falcão, com quem todo dia cedinho eu fazia uma análise diária do noticiário do dia e elaborava um pequeno relatório comentado para o primeiro escalão municipal. Conversava com praticamente todos os secretários, presidentes de estatais, coordenadores e subprefeitos pelo menos uma vez por mês, sempre em busca dos melhores argumentos para rebater as nem sempre construtivas críticas –e a saraivada de bobagens e maldades– que a dita “grande imprensa” despejava na nossa cabeça sem trégua.

É difícil descrever o estado em que pegamos a prefeitura. Era um oceano de corrupção e desorganização, uma completa desestruturação de cada setor, gente contratada irregularmente e funcionários fantasmas em tudo que é canto… daria pra descrever por páginas esse caos, mas deixa pra outra. Lembro claramente que não tinha dinheiro pra nada. Nada mesmo. O orçamento médio anual da gestão Marta foi de pouco mais de R$ 10 bilhões. Começou com menos do que isso e terminou por volta de 13 bi. Mesmo assim, o orçamento municipal de São Paulo sempre foi o terceiro maior do país, atrás apenas da União e do Estado de São Paulo. Supera o quanto estados como Rio ou Minas têm para investir anualmente, por exemplo.

Da saudosa FAlha de S.Paulo, o flagra do comício final de Serra: Alberto Goldman, Otavinho Frias, Bárbara Gancia, Serra, Dimenstein, Alckmin e Gilmar Mendes

Listo apenas algumas das conquistas do governo Marta que (ainda bem) não têm volta: Bilhete Único; fim dos perueiros; dezenas de quilômetros de novos corredores de ônibus; CEUs; telecentros com internet gratuita; isenção de IPTU para um milhão de moradias; subprefeituras; Plano Diretor. E mais uma série de “detalhes” que fazem toda a diferença para uma cidade pulsante como São Paulo. Por exemplo: enquanto Kassab manda cobrir de tinta cinza os grafites dos Gêmeos, artistas respeitados em todo mundo, Alê Youssef, à frente da coordenadoria da juventude, conseguia novos espaços na cidade para a arte de rua, o skate, o rap e tantas outras novas manifestações.

Marta tinha uma espécie de “loucura benéfica”, e ainda um “pé na Europa” bastante positivo. Era “louca” o suficiente para bancar a construção de 20 Centros de Educação Unificados nas periferia, todos com piscinas olímpicas, teatros modernos, bibliotecas e telecentros, mesmo sob uma chuva de críticas – mas vai hoje lá no Itaim Paulista ou na Brasilândia e pergunta se a vida do povo melhorou ou não. Marta era “européia” o suficiente para não ter pudor em conversar com prefeituras do mundo todo, fechando acordos com Buenos Aires, Paris e quem mais aparecesse pela frente com boas ideias. Enfim, tinha a cabeça moderna de quem samba em cima de um trio elétrico toda Parada Gay sem parecer forçado por um único minuto. Era perfeita? Claro que não, mas era, em minha modesta opinião, de longe a melhor prefeita que já tivemos.

E o bundão do Kassab?

Após uma eleição trágica em 2004, marcada por erros do próprio PT e pelo tremendo machismo dos eleitores homens e mulheres em relação à separação de Marta –que largou Suplicy, um santo, para ficar com um gringo bonitão–, estamos agora em meio a oito anos de Serra/Kassab.

Isso que vou falar agora não é exagero: Kassab, essa cria maldita de Serra, tem em suas mãos quase TRÊS VEZES MAIS DINHEIRO (mais de 30 bilhões/ano) do que Marta tinha. agora pense um minuto: você acha que a Prefeitura, hoje, faz 3 vezes mais coisas do que antes, seja que coisas forem? Tudo bem, vamos dar uma colher de chá: você acha que Kassab fez metade do que Marta fez? Onde está esse dinheiro? Aceitando a hipótese de que ninguém esteja roubando, a grana está parada no banco, rendendo juros para banqueiro. Por quê raios não investir isso no que quer que seja, sendo que a cidade é tão absurdamente carente de tudo?? Deve ser por conta da famigerada “responsabilidade fiscal” e a “boa gestão” demo-tucana. Não aguento essa turma que encara a administração pública como a gestão de uma empresa privada. Ideia de jerico. Como “lucrar e reduzir gastos” com saúde ou educação pública, por exemplo?

Não dá para achar que “o prefeito da cidade tem que ser um síndico”. Não é nada disso. O prefeito de uma metrópole como São Paulo tem que ousar, buscar e lançar tendências mundiais, incansavelmente procurar soluções inovadoras, se cercar de um monte de gente boa de tudo que é canto. Não tem que declarar, na maior cara lavada, “que vai chamar um por um todos os antigos aliados do Serra que não foram aproveitados por Alckmin”. E aí tome um bando de ex-prefeito de cidade do interior virando subprefeito de bairros paulistanos onde nunca pisaram.

Também da antiga Falha: Alckmin, ainda um vereador de Pindamonhangaba, já era amigo de Dimenstein

Não dá mais para avaliarmos se um governante, ainda mais de São Paulo, é bom ou não exclusivamente pela qualidade do asfalto por onde você passa de carro todo dia. Não dá mais para acharmos que a “nova Marginal” foi uma boa obra, sendo que ontem, 24 de janeiro, o rio Tietê transbordou pela 2ª vez depois de não sei quantos anos, afinal reduziu-se drasticamente a área permeável à sua volta e foram cortadas milhares de árvores. O saldo dessa obra estúpida, em português claro: bilhões em gastos, mais enchentes e um trânsito igualmente péssimo.

Chega de acreditar que a cidade alaga por culpa de São Pedro. Se fosse isso mesmo, então para combater as enchentes deveríamos fazer o quê? Um protesto em frente a Catedral da Sé? Mandar uma menção de repúdio ao santo para o Vaticano?

São Paulo é moderna, vibrante. É pra cá que todo mundo vem pra ganhar dinheiro ou “acontecer”. Tem a Liberdade, a rua Augusta, Oscar Freire, a avenida Paulista e o parque do Ibirapuera. Aqui estão alguns dos melhores restaurantes do mundo (acabei de voltar de um coreano incrível, a pé), e os mais incríveis serviços 24 horas do mundo. É uma cidade em que é mais fácil você ser o que quiser, seja gay, junkie, careta, evangélico, nerd, workaholic ou o que for, sem que ninguém te encha o saco. Por isso mesmo não dá pra termos uma trinca careta, incompetente e limitada como Alckmin, Serra e Kassab atrasando nossa vida por tantos anos e acharmos que tudo bem.

"Tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura"

Tais Gasparian, advogada da Folha que assina o processo de censura à Falha, sobre a ação que a atriz Juliana Paes moveu contra José Simão em 2009. Dois pesos, duas medidas...

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