Darth Otavinho

Posts Tagged ‘taís gasparian’

9 dezembro 2010

Ganhamos traduções em alemão e holandês, identificadas com bandeirinhas, junto com as demais, aí em cima. E também subimos no You Tube o vídeo do Gil ironizando a Folha com legendas em inglês (abaixo e no pé da página em inglês). Lembramos que temos o texto-base também em espanhol, francês, italiano e português –em nossa língua-mãe, também são úteis as perguntas/respostas do “Entenda o caso”, além dos vídeos à direita. Por favor nos ajude a divulgar como puder. Obrigado!


6 dezembro 2010

Um processo inédito na história da Internet e do jornalismo brasileiro //  Um blog de paródia censurado pela primeira vez na história do país, abrindo precendente para agressões de outras empresas // O maior jornal do país querendo arrancar dinheiro de dois irmãos como “indenização por danos morais”, mostrando total incompreensão sobre o que é internet e democracia // Apoio de Gilberto Gil, Marcelo Tas e centenas de blogueiros // Comentários e discussões em todas as redações, da Folha inclusive.


A gente podia tá roubando, podia tá matando, mas tamo aqui pedindo: por favor escreva para uns gringos!

Mesmo assim, nenhum veículo chamada grande imprensa (ou “velha imprensa”, ou “mídia tradicional”) noticiou o caso. Até a ombudsman da Folha, que já afirmou várias vezes que o jornal tem que “ser corajoso para noticiar as críticas que recebe”, ignorou nossos apelos.

Por isso lançamos hoje uma campanha internacional de denúncia da censura da Folha, que na verdade é um atentado grotesco contra toda a internet brasileira. No topo da página há links para textos em inglês, espanhol, francês e italiano. Foram escritos  pensando no público estrangeiro, contextualizando a criação do blog na realidade do país e explicando, de forma didática, porque é mais do que um simples processo e porque “não é notícia” aos olhos da tradicional imprensa brasileira.

Ao longo da semana, vamos subir os vídeo de Gil legendado para inglês e francês e também o mesmo texto-denúncia em alemão. O original, em português, está disponível no botão “divulgue” acima, e é bom para ser repassado a jornalistas de Portugal e outros países lusófonos.

É A SUA GRANDE CHANCE DE AJUDAR! Por favor escreva para TODOS os contatos que tiver no exterior, jornalistas ou não, repassando os links. Se você é jornalista, por gentileza repasse para os colegas da mídia estrangeira. Se você não tem contatos, nos ajude buscando na internet emails de jornais, rádios, sites, TVs ou revistas para os quais você possa enviar os textos.

POR FAVOR PERCA UNS MINUTOS HOJE MESMO NOS AJUDANDO A DENUNCIAR ESSA PALHAÇADA QUE AMEAÇA TODA A INTERNET BRASILEIRA!

MUITO OBRIGADO MESMO!

26 novembro 2010

Em respeito ao Manual de Redação da Folha, fomos a um evento organizado pelos donos dos meios de comunicação e ouvimos meio que na marra o cabeça da redação da Folha, o editor-executivo Sérgio Dávila, que na hierarquia do jornal está abaixo apenas de Otavinho:



Ponderei muito se deveria divulgar esse vídeo. Decidi ir ao tal evento em cima da hora, e me irritei ao ver aquele monte de banners de “liberdade” no convescote patronal enquanto assistia Sérgio Dávila e o über-reaça Demétrio Magnoli falando um monte de besteiras considerações no palco –acredite, foi preciso estômago forte. Ao final ainda ouvi o chefão do jornal que me censura dar entrevistas a rádios e TVs como porta-voz da liberdade de imprensa irrestrita, dizendo-se preocupado com as “ameaças” de cerceamento, principalmente do governo. Foi a gota d´água. A revolta com aquele teatro falou mais alto, me enfiei na rodinha de jornalistas e o resultado foi esse que você viu.

Pesava contra a divulgação: estou um tanto nervoso e atrapalhado no vídeo (eu falava e filmava o número 1 do maior jornal do país). Fiquei também com medo de parecer grosso ou de sofrer alguma retaliação por me expor demais. A favor da divulgação pesou o fato de que finalmente o “outro lado” ganha rosto e voz. Um peixe grande do jornal defende de peito aberto o que a advogada Tais Gasparian escreveu, uma peça jurídica inédita no Brasil e que, essa sim, é considerada pela comunidade blogueira uma real ameaça à liberdade de expressão na Internet, pelo precedente horroroso que abre.


Melhor (pior?): contrastando com minha tensão, o executivo fala impassível, sem abalar o sorrisinho, bem em frente a um enorme banner escrito “liberdade de expressão”. Também pesou a favor da divulgação o fato de Sérgio ter levado pro lado pessoal. Ele fez questão de citar que eu trabalhei no Grupo Folha, que depois fui pra Prefeitura (fiz análise de mídia para o governo Marta Suplicy), que “conheço o jornal”, que estou pessoalmente “capitalizando” com o caso etc. Se fosse pra ir por aí, também conheço Sérgio e pessoas de sua família há quase duas décadas, sei onde trabalharam e o que fizeram da vida. Mas que catzo isso tem a ver com a censura e o processo da Folha?

Por fim, uma breve tréplica ao Outro Lado concedido à Folha:

  1. É censura SIM. E violenta. O endereço foi cassado pela Justiça a pedido da Folha e agora vocês querem dinheiro. Não dá pra dourar a pílula, lamento;

  2. O que foi essa comparação com a Ford?? Os automóveis da nobre montadora norte-americana não vêm com discursos defendendo a liberdade de expressão gravados no capô. A Folha, sim;

  3. Uma pessoa inteligente como o editor não pode mesmo acreditar que nosso site causava “confusão”; (Obs.: e o legal é que várias pessoas que trabalham no mesmo andar do Sérgio concordam com a Falha, e não com a Folha. Só não podem dizer publicamente);

  4. Defender sorrindo que dois caras sem ligação com nenhuma entidade tem mesmo que ser punidos e pagar uma bolada em dinheiro para o maior jornal do país a título de “indenização por danos morais” porque fizeram um blog de paródia é o fim;

  5. Se “capitalizar” é dar publicidade para o caso, sim estamos fazendo isso. É o que resta para nos defender da bucha da Folha.

Por fim, caro Sérgio, por favor não me leve a mal. Não tenho nada contra sua pessoa. Mesmo. Colecionei e mandei encadernar (juro) a sensacional cobertura que você fez da Guerra do Iraque, quando ainda era apenas um ótimo repórter, e não um executivo engravatadoE olha só: até postei, há um mês, um vídeo de outra pessoa que pensa exatamente como você. Mas minha posição é simples: tenho asco da postura hipócrita da Folha, que se diz o “Jornal do Futuro” mas se vale das piores práticas do passado.

Muito obrigado, bom fechamento e lembranças ao Otavinho.

Lino Bocchini

22 novembro 2010

Taís Gasparian & cia: não se ofendam, não entendemos patavina de inglês, escolhemos essa imagem ao acaso

Caros censores da Barão de Limeira,

Por gentileza, não venham nos processar (de novo) por conta das diversas iniciativas pipocando na Internet relacionadas à finada Falha de S.Paulo. O que está acontecendo é simples: o povo copiou tudo quando era público, o mesmo que vocês fizeram para montar a ação. E como ninguém está conformado com a censura da Folha e o precedente que ela abre… Mas fiquem tranquilos: não vamos sequer dar o link de nada, para não restar dúvidas de que estamos cumprindo integralmente a liminar que vocês conseguiram com aquela desculpa esfarrapada de “uso indevido de marca”. De nossa parte já estamos satisfeitos porque, além de estarmos gargalhando com o povo tirando uma da cara de vocês, essa ação absurda que estamos sofrendo pelo menos está mostrando de forma bem explícita a verdadeira cara feia e nada democrática do tal “Jornal do Futuro” (sic).

Cordialmente, Pernalonga e Patolino.


17 novembro 2010

Advogada festejada na manchete da Folha de hoje é a cara e a voz da maior ameaça à liberdade de expressão na Internet brasileira.

Por Lino Bocchini, desabafando

Taís Gasparian, advogada da Folha, é a responsável maior pela manchete do jornal de hoje. Seguramente recebeu os efusivos parabéns de Otávio Frias Filho, ou pelo menos do diretor de redação do jornal, Sérgo Dávila. Não é para menos: graças ao seu empenho pessoal, o jornal terá acesso ao processo que o STM (Superior Tribunal Militar) mantinha sob sigilo. Segundo o presidente do Tribunal, Carlos Alberto Soares, o sigilo era para evitar o “uso político do material” no período eleitoral. Uma preocupação descabida em se tratando de um jornal sabidamente imparcial e ético como a Folha.

“O STM honrou com sua tradição liberal. É uma vitória um pouco óbvia, já que o processo jamais poderia ficar sob sigilo”, afirmou Taís ao jornal, que destacou a frase. Disse também, que não foi uma vitória da Folha, “e sim de toda a sociedade”. Arquivado desde 1970, o processo traz, entre outras coisas, detalhes sobre as torturas sofridas pela presidente eleita Dilma Roussef, e também as declarações que ela deu durante as seções de tortura, além das opiniões dos militares que a prenderam e a seviciaram por meses.

Permitam-me abrir um rápido parênteses pessoal: meu pai e minha mãe também foram torturados, como tantas outras pessoas que conheci ao longo da vida. Ouço relatos tenebrosos sobre isso desde criança. Não sei se Taís ou Otávio Frias Filho fazem alguma ideia do que é ser torturado, e do que uma pessoa pode (ou não) falar nessa situação. A bem da verdade, eu também não sei ao certo, só quem passou por isso sabe. Mas tenho a mais absoluta certeza de que a Folha, honrando sua tradição democrática, saberá ponderar tudo isso ao divulgar o material, e não irá tomar como verdade tudo o que os militares escreveram…

Volta fita para 2009. Naquele ano, a mesma Taís Gasparian ganhou outro belo processo em nome da liberdade de expressão. Foi quando defendeu José Simão de uma tentativa da atriz Juliana Paes de censurá-lo na Justiça, impedindo-o de fazer piadas e críticas à sua atuação. Ao vencer, Taís disse uma frase maravilhosa, publicada na Folha: “Tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa do que censura”. Assino embaixo.

Em setembro de 2010, Taís Gasparian assinou outra ação inédita e emblemática para quem se importa com a liberdade de expressão e de imprensa em nosso país: é de sua autoria um processo de 88 páginas que censurou o blog independente Falha de S.Paulo. A mando da Folha, Taís conseguiu duas liminares: a primeira contra eu e meu irmão nos obrigando a tirar o blog do ar, sob a desculpa de “uso indevido da marca”. A segunda liminar foi contra o Registro.br, órgão que administra todos os endereços terminados em .br, cassando assim o endereço “na fonte”, congelando-o para que ninguém mais o registre e impedindo que eu e meu irmão registremos qualquer outro domínio parecido com o nome Folha de S.Paulo. Não bastasse, a ação de Taís pede ainda uma indenização em dinheiro a título de danos morais, de valor a ser arbitrado pelo juiz em caso de vitória sua e do jornal (o que deve ocorrer, dada a competência da profissional).

A manchete de hoje da Folha explica ainda porque, convidada formalmente, Taís não compareceu ontem ao Fórum Internacional de Cultura Digital, que termina hoje na Cinemateca São Paulo. O evento contou com 3 dias de debates e oficinas com todos os principais militantes e ativistas de liberdade de expressão na Internet e fora dela. Teve a presença de gente como Gilberto Gil ou de J.P. Barlow, ex-Grateful Dead, atual Eletronica Frontier Foundation e um dos principais ativistas mundiais pela liberdade na internet. Por duas horas e meia ontem à noite participei de uma discussão com Sérgio Amadeu, um dos maiores ativistas brasileiros pelo software livre e liberdade digital, e Guilherme Almeida, do Ministério da Justiça. Juntamente com mais 100 pessoas, debatemos justamente a ação de Taís. Não a do Tribunal Militar, mas sim a que se tornou emblemática por censurar um blog.

A preocupação geral dos presentes é que, na hipótese de uma provável vitória da Folha, abre-se um precedente horroroso e inaceitável. A Justiça estará dando um claro recado às demais grandes empresas do país, sejam de comunicação ou de outra área. Quando um blog ou qualquer outro site pisar no seu calo, faça como a Folha: use a a desculpa de uso indevido de imagem, alegue danos morais e pronto. Já haverá jurisprudência. Você conseguirá uma liminar imediatamente e quem te importunou ainda vai ter que morrer com uma bela grana pra aprender a nunca mais fazer isso. Enfim, esse inédito processo elaborado e assinado por Taís Gasparian em nome da Folha (o tal “Jornal do Futuro”) irá inaugurar uma nova e perigosa forma de censura e intimidação entre os blogueiros, justamente a grande novidade na comunicação dos últimos tempos –esses sim, a imprensa do futuro.

Convido todos a se engajarem nessa dura tarefa de desmascarar o jornal e sua advogada-militante-da-liberdade-de-expressão. Não pretendo assistir a essa hipocrisia gigantesca de Taís Gasparian e da Folha de braços cruzados. Não mesmo. Não nessa vida.

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"Tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura"

Tais Gasparian, advogada da Folha que assina o processo de censura à Falha, sobre a ação que a atriz Juliana Paes moveu contra José Simão em 2009. Dois pesos, duas medidas...

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