Darth Otavinho
3 dezembro 2012

A pedido dos advogados do New York Times, no último dia 19/11 o twitter tirou do ar a conta @NYTOnIt, que parodiava o jornal. A reação dos usuários do microblog condenando a censura promovida pelo jornalão americano foi imensa, segundo noticiou o The Guardian. Tanta que logo no dia seguinte o twitter voltou atrás e recolocou a conta no ar –não se sabe se a pedido do NYT ou por iniciativa própria–, mas com outro logotipo.

O senhor que desafiou o NYT. Esse é dos nossos! :)

A conta era mantida por um advogado de 29 anos, Benjamin Kabak, que decidiu, por conta própria e de forma totalmente independente, abrir a conta para satirizar o jornal. Curiosamente, o New York Times usou o mesmo argumento que a Folha de S.Paulo criou para “sustentar” sua censura contra a Falha: uso indevido da marca. Mas as semelhanças entre os dois casos param por aí:

1º ) O New York Times não processou ninguém. Foi, sim, notificar o twitter. A Folha entrou de sola e pediu uma liminar contra os irmãos criadores da Falha (Mário e Lino Bocchini), sem aviso prévio algum e pedindo uma multa diária de R$ 10 mil caso continuássemos com o blog no ar. Também pediu indenização em dinheiro por danos morais, em um processo de 88 páginas movido contra nós.

2º) O New York Times, após ser condenado pela blogosfera e tuiteros norte-americanos, percebeu o ridículo de sua ação e voltou atrás. “Se o New York Times estava procurando uma forma de atentar contra sua própria marca, encontrou um”, postou, por exemplo, o crítico de mídia Dan Gilmor. Já a Folha foi condenada por centenas de blogueiros, foi objeto de uma audiência pública de repúdio à censura no Congresso com deputados de 10 partidos, tomou um pito público da organização Repórteres sem Fronteiras e até de Julian Assange. A empresa dos Frias, por sua vez, recebeu o apoio enfático de Celso Mim, deu de ombros e manteve a censura –que perdura até hoje.

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Leia mais sobre o caso NYT no respeitado Knight Center for Journalism in the Americas, que defende a liberdade de expressão: aqui em português. O centro, aliás, já noticiou a censura da Folha em 4 ocasiões: aqui e aqui em português e aqui e aqui em inglês.

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Convidamos todos a redivulgarem a censura da Folha. O caso está entrando em 2ª Instância, e é importante que os desembargadores ouçam o que você pensa sobre a censura da empresa dos Frias contra um blog independente antes de tomarem sua decisão.

Obrigado!

9 Comentários

  1. […] que programas de TV e tantos outros sites, jornais e revistas fizeram ou fazem o mesmo, no Brasil e no exterior, sem problemas. Borrelli Neto ainda lembrou que “a paródia não está apenas no conteúdo, mas […]

  2. […] em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA, onde, aliás, paródias assim são permitidas.   A alegação central da empresa da família Frias é a de que a Falha fazia “uso indevido da […]

  3. […] O disputa jurídica Folha × Falha vai ser julgada em 2ª instância na quarta-feira, dia 20, pela 5ª turma de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Você pode se perguntar: “Ótimo, sorte pra vocês. Mas o que essa briga da Folha com a Falha tem a ver comigo?”. Tudo. É fácil entender, por gentileza perca mais dois minutos e leia esse texto até o final. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, trata-se de um caso sem precedentes no Brasil. Nunca antes um grande veículo conseguiu tirar do ar judicialmente um site ou blog que o criticasse. Na ausência de jurisprudência em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA, onde, aliás, paródias assim são permitidas. […]

  4. […] O disputa jurídica Folha X Falha vai ser julgada em 2ª instância na próxima quarta-feira, dia 20 de fevereiro, pela 5ª turma de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Você pode se perguntar: “Ótimo, sorte pra vocês. Mas o que essa briga da Folha com a Falha tem a ver comigo?”. Tudo. É fácil entender, por gentileza perca mais 2 minutos e leia esse texto até o final. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, trata-se de um caso sem precedentes no Brasil. Nunca antes um grande veículo conseguiu tirar do ar judicialmente um site ou blog que o criticasse. Na ausência de jurisprudência em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA –onde, aliás, paródias assim são permitidas. […]

  5. […] O disputa jurídica Folha X Falha vai ser julgada em 2ª instância na próxima quarta-feira, dia 20 de fevereiro, pela 5ª turma de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Você pode se perguntar: “Ótimo, sorte pra vocês. Mas o que essa briga da Folha com a Falha tem a ver comigo?”. Tudo. É fácil entender, por gentileza perca mais 2 minutos e leia esse texto até o final. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, trata-se de um caso sem precedentes no Brasil. Nunca antes um grande veículo conseguiu tirar do ar judicialmente um site ou blog que o criticasse. Na ausência de jurisprudência em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA –onde, aliás, paródias assim são permitidas. […]

  6. […] O disputa jurídica Folha X Falha vai ser julgada em 2ª instância na próxima quarta-feira, dia 20 de fevereiro, pela 5ª turma de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Você pode se perguntar: “Ótimo, sorte pra vocês. Mas o que essa briga da Folha com a Falha tem a ver comigo?”. Tudo. E aí lhe peço, por gentileza perca mais 2 minutos e leia esse texto até o final. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, trata-se de um caso sem precedentes no Brasil. Nunca antes um grande veículo conseguiu tirar do ar judicialmente um site ou blog que o criticasse. Na ausência de jurisprudência em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA –onde, aliás, paródias assim são permitidas. […]

  7. 04/12/2012

    Os casos do Megaupload e do Wikileaks, dentre outros, mostram que o objetivo é fiscalizar a internet, no sentido de proibir que determinadas mensagens, textos e arquivos sejam publicadas.LINOBOCCHINNI,JULIAN ASSANGE,KIM DOTCOM,JOSÉ DIRCEU,SERGIO AMADEU,CARIBÉ,TULIO VIANNA .TAMO JUNTO!

  8. admin
    03/12/2012

    Guimarães, não concordo com sua análise, mas respeito sua opinião. Abs

  9. Guimarães Assis
    03/12/2012

    O New York Times não “voltou atrás” coisa nenhuma, de onde vocês tiraram isso? Vocês leram os textos que vocês mesmos linkaram? Como é que vocês querem criticar a “grande mídia” cometendo uma distorção tão grosseira quanto essa?

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