Darth Otavinho
14 Janeiro 2011

Depois de exatos 106 dias que estamos fora do ar – por conta de uma liminar emitida a pedido da Folha – hoje pela primeira vez o jornal noticia o assunto (“Ação contra blog visa impedir o uso de domínio e logotipo”), no qual defende o processo contra mim (Lino) e meu irmão (Mário) por conta do blog-paródia FAlha de S.Paulo. No site, o artigo é fechado para assinantes, mas tomamos a liberdade de reproduzi-lo abaixo, já que há algumas incorreções e omissões que precisam ser pontuadas. Rapidamente:

1. NÃO SOU “DIRETOR EDITORIAL DA REVISTA TRIP” E A EMPRESA NÃO TEM NADA A VER COM ISSO. Sou, como informei por escrito ao repórter Mario Cesar Carvalho, redator-chefe da revista. É muito importante ficar bem claro que nem a revista nem a editora Trip têm nenhuma ligação com o site extinto nem com esse atual. São iniciativas particulares minhas e de meu irmão, feitas fora do horário de expediente.

2. O JORNAL ESCONDE TODOS OS “DETALHES” FINANCEIROS DO PROECSSO. Na liminar, a Folha pedia à Justiça a aplicação de uma multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. O juiz baixou o valor para R$ 1000 por dia. Claro que cumprimos a liminar e derrubamos o site. Aqui você confere a íntegra do processo da Folha contra nós, aqui você vê os “melhores trechos”  e aqui você vê a liminar. TEM MAIS: em diversos momentos de sua ação, a Folha explicita que sua intenção, além de nos tirar do ar (se isso não é censura, não sei o que é) é também nos cobrar dinheiro a título de indenização por danos morais. Abaixo, a reprodução de apenas dois dos diversos pontos do processo da Folha (assinado pela advogada Taís Gasparian) que nos ameaça com represálias financeiras (aliás, caso interesse, aqui a explicação do porquê citamos as pessoas da Folha nominalmente). Vamos aos trechos que a Folha não gosta de mostrar:

Por que será que a Folha omite essa parte da história?


Por que será que a Folha omite essa parte da história? II

3. A FOLHA NÃO MANDOU NENHUM AVISO PRÉVIO, notificação extra-judicial, nada. Mandou direto a liminar nos tirando do ar sob ameaça de multa e o aviso de que havia um processo de 88 páginas protocolado contra nós no Forum João Mendes.

4. A PARÓDIA, SEGUNDO O DICIONÁRIO HOUAISS, é um recurso que “imita outra obra”, com objetivo “jocoso e satírico”. É assim desde o Barão de Itararé que fazia “A Manha”, brincado com “A Manhã”; passando pelos Netos de Amaral, de Macelo Tas, que brincava com o colunista Amaral Neto; a “Trolha de S.Paulo” que os cassetas faziam em sua extinta revista e dezenas de outros exemplos que aparecem em programas de TV como CQC, Pânico, Comédia MTV e Casseta & Planeta. PIOR E SURREAL: o legítimo recurso da paródia é usado pela própria Folha quase que diariamente, principalmente por meio de seus chargistas e colunistas. A charge abaixo, de Angeli, por exemplo, foi publicada outro dia na página 2 do jornal. Todos os argumentos que a Folha usa contra nós poderiam ser usados pelo Mc Donald´s para processá-la (logo parecido, “uso indevido da marca” etc). Agora pensem um minuto: a Folha (e o próprio Angeli) chamariam de censura um eventual impedimento jurídico dessa charge ou diriam que é um pleito normal da cadeia de lanchonetes?

Angeli deveria ser proibido de fazer essa charge?

Enfim, o que o jornal não percebeu -ou se recusa a admitir- é que a ação é tão violenta e surreal que abre uma jurisprudência que pode se voltar contra a própria Folha. Por conta dessa ameaça coletiva à liberdade de expressão, centenas (talvez milhares, é só dar um Google) de sites e blogs brasileiros já condenaram a censura do jornal, fora entidades e publicações internacionais, como Wired, Financial Times, Repórteres sem Fronteiras e Julian Assange. Caso tenha tempo e paciência, tente achar alguma manifestação a favor do processo do jornal. Se tiver uma única para cada 100 condenando, fora a do Celso Mim, já vai ser muito.

Obrigado pela atenção, grande abraço.

Lino Bocchini

______________________________________
ÍNTEGRA DA MATÉRIA DA FOLHA:

Ação contra blog visa impedir o uso de domínio e logotipo

Folha processa site; autor de Falha de S. Paulo considera “censura” a decisão do juiz

DE SÃO PAULO

Os textos satíricos sobre a Folha veiculados pelo blog Falha de S. Paulo não foram proibidos pela Justiça nem era esse o pleito do jornal, segundo o diretor jurídico do Grupo Folha, Orlando Molina. A Justiça determinou que o blog não use o logotipo da Folha nem o domínio falhadespaulo.com.br na internet.
“Não pela sátira, que não é vedada”, escreveu o juiz ao conceder a liminar, mas pela “inequívoca confusão” entre o nome do blog e o título do jornal. O assunto foi tratado pela mais recente coluna da ombudsman da Folha, Suzana Singer, no domingo.
O jornalista Lino Ito Bocchini, diretor editorial da revista “Trip”, que faz o blog junto de seu irmão Mário, diz que o fato de o juiz ter vetado o uso do domínio é “censura”. “Tirar um site do ar é como derrubar o sinal de uma TV ou de uma rádio. E foi exatamente isso que o jornal fez”, escreveu Bocchini em e-mail à Folha.
A suposta censura do site foi criticada pela organização Repórteres sem Fronteira e por Julian Assange, criador do WikiLeaks.
Bocchini critica o argumento aceito pela Justiça de “uso indevido da marca”. “Difícil achar um termo mais amplo e nebuloso. O jornal argumenta que não podemos usar um logo parecido, e nem um endereço eletrônico parecido. Mas, como bem disse Julian Assange em entrevista ao “Estadão”, “o blog não pretende ser o jornal”. É óbvio que não”, diz o jornalista, que trabalhou no “Agora”, jornal do Grupo Folha, e foi assessor de Rui Falcão (PT) quando ele era secretário de governo na gestão de Marta Suplicy (2001-2004) na prefeitura paulistana.

MARCA
O diretor jurídico da Folha contesta a interpretação de que conteúdo foi vetado: “Jamais pediríamos a proibição de um blog. O que não podemos aceitar é o uso da marca e de conteúdos do jornal”. Segundo ele, o blog poderia migrar o seu conteúdo para um outro domínio, sem qualquer problema.
Os irmãos Bocchini criaram outro blog (desculpeanossafalha.com.br) em que atacam o jornal, mas não têm intenção de usar as sátiras antigas, de acordo com Bocchini. “Não podemos correr o risco de ser interpretados pela Justiça como estando desrespeitando a liminar”.
Nos últimos anos, o Grupo Folha entrou na Justiça contra o uso indevido de seus domínios e marcas em pelo menos quatro ocasiões. Até agora, venceu todas as ações, em instâncias variadas.

81 Comentários

  1. Carol
    18/01/2011

    Nossa esse Otavinho, relativamente jovem, rico, inteligente, dono do maior e mais lido jornal do País, esse Sérgio D´Ávila, super gato, inteligente, poderoso..devem provocar uma inveja, nos que não tem o mesmo glamour….kkkkkkkkkkkkkk

  2. […] e da paródia, que o próprio jornal usa diariamente em suas charges, como bem notou Lino nesse texto publicado no Desculpe a Nossa FAlha. Fora isso, há de se lembrar que a justificativa de que o […]

  3. Gabriel
    17/01/2011

    A única censura boa é aquela que é aplicada por você mesmo. Não gosta, não entra. Simples.
    E a propósito, não vou entrar nessa verborragia barata que dominou os comments. Um abraço.

  4. Ricardo
    16/01/2011

    Qual a razão de tanta raiva para existir um blog destrutivo cujo único objetivo é atingir o maior e mais respeitado jornal do país?

  5. Ricardo
    16/01/2011

    Eu vou ficar aqui para patrulhar os vermelhinhos de buteco e viseira que acham normal os companheiros assalaterm o país com grana na cueca e quiçá outras parte não reveladas…

  6. admin
    16/01/2011

    Dr. Kbção, mil desculpas, de coração, por subestimar vossa inteligência. Você tem toda razão. Peço perdão por minhas atitudes e estendo esse pedido de perdão à Folha. Estou nesse momento implodindo esse site e escrevendo um pedido público de desculpas para a Folha. Dr. Kbção, nem sei como te agradecer por abrir meus olhos com suas palavras tão gentis. Agora pode ficar tranquilo e ir visitar outros sites, de gente humilde e de bem. Grande abraço, Lino

  7. paula
    16/01/2011

    Cabeção, vc por acaso é o Otavinho? Ou o Sergio Davila? Qual a razão de tanta raiva?

  8. Kbção
    16/01/2011

    Ah, “podjcrê” que não acho que tenhas nada além de superdelírios de grandeza (metade da blogosfera brasilera? Poupe-me) e paranóias de perseguição, além de uma clarividente obtusidade ideológica e uma execrável seletividade moral. Não se superestime tanto, meu rapaz…

  9. Kbção
    16/01/2011

    Dando uma olhadela na caixa inteira, pude constatar que 90% dos comentários são de anônimos. Intima todos eles a saírem do armário, inclusive os que te apoiam: Paula, Olace, Gabriel, Danilo, Lino, Renato-SP, !Parla! e outros mais…Patético.

  10. Kbção
    16/01/2011

    Mais uma vitimizaçãozinha, caro Lino. Onde estariam as ofensas? Apenas demosntrei o que, no meu entender, seria uma contradição nos comentários da Paula. Só isso. Aliás, anonimato de bajuladores você não reclama, né? O nome Paula, simplezinho assim, é ou não uma forma de e anonimato? Como se vê, sua seletividade se estende por todas os seus juízos.Dá pena.

  11. admin
    16/01/2011

    Caro cabecinha, incrível como o anonimato ajuda bastante nessas discussões na internet, principalmente na hora de ofender as pessoas né?
    Grato por considerar que temos superpoderes para, mesmo trabalhando e sem departamento juridico, assessoria de imprensa ou o que seja, conseguirmos enganar metade da blogosfera brasileira, Julian Assange, FT etc etc etc. Nosso próximo passo é enganar o cara que sorteia as bolinhas da megasena, pra ver se resolvo de vez minha vida.
    Abs, Lino

  12. Kbção
    16/01/2011

    “Hey cabeção… Tô com a análise que o Financial Times fez do caso.”

    Resumindo: as grandes corporações só prestam quando estão do nosso lado…hehehe

    Como advogado, já defendi clientes em processos contra multinacionais, por exemplo. Mas nunca encarei tais lides como uma luta anticapitalista, ou como embates opressor/oprimido. Essa histeria diversionista apenas realça um fato: a ação do Jornal jamais visou à censura do blog. Tem mais, é indisfarçável que tal processo, no fim das contas, acabou sendo bom para os supostamente perseguidos. É só constatar a notoriedade que ganharam e o séquito de desmiolados que embarcaram na narrativazinha delirante. Sabe o Didi Mocó? Pronto, parece aquelas lutas dele, em que o opositor colocava apenas a mão na testa do “Paraíba” e ele ficava socando o vento, para depois chegar junto da patota dele posando de sabichão por ter desafiado o “inimigo”…

  13. Luis
    15/01/2011

    Esse Celso Mim é só zueira, pra aparecer no site…

  14. paula
    15/01/2011

    E pro pessoal que diz que era SÓ mudar o domínio e o nome do site e continuar o blog eu tenho uma pergunta: algum de vcs já teve que se defender de um processo? Ainda mais de um processo de uma empresa tão poderosa quanto a Folha? Constituir advogado, pagar, elaborar defesa, cumprir prazos… Porque a Folha não notificou antes, mandou logo um processo…

  15. Ricardo
    15/01/2011

    meu partido político é a verdade, honra e luta contra a corrupção…..esses requisitos me mantém por exemplo longe do PT.

  16. Ernesto FalhaSeca
    15/01/2011

    O jornal não ofende a inteligência de seus leitores ao considerar que eles “inequivocamente” confundirão “Falha” por “Folha” ?

  17. paula
    15/01/2011

    Hey cabeção… Tô com a análise que o Financial Times fez do caso. Realmente vc faz jus ao apelido

  18. Antonio
    15/01/2011

    Li os comentários e ao Ricardo dirijo a seguinte pergunta:
    – Suas colocações e perguntas são feitas por que V.Sas é remunerado pela Folha, PSDB ou por ser amigo do editor que gosta de ser chamado de publisher ou faz parte da malta paulista que gosta e pensa se sentir melhor do que todos porque come mortadela e arrota caviar?

  19. Kbção
    15/01/2011

    Ah, e o comentário saiu cheio de erros de digitação porque eu estava rolando de rir com o quixotesco comentário da Paula… hehehe

    Repetindo: é engraçado ver a Paula viajar na luta contra as grandes corporações dizendo: “Pô, nessa eu tô com o Financial Times…”.

  20. Kbção
    15/01/2011

    É engraçado ver a Paula viaja na luta contra as grandes corporação dizendo:”Pô, nessa eu tô com O Financial Times…”. hehehe

  21. Carlos Soares
    15/01/2011

    Admiravel e parabens ,pelo blog ,minha sugestão é que tal registrar o domínio “Rolha de São Paulo).Acredito ser bem vindo e como diz aquele outro PIG ,”tudo a ver” rssss.

  22. pedrôncio
    15/01/2011

    Pois é, todo mundo condenando a Folha. Eu reproduzi este post no Blog do Nassif e, inacreditavelmente, foi justamente lá que eu encontrei quem defendesse a atitude do jornal!

    Estou pasmo até agora…

  23. Remindo Sauim
    14/01/2011

    Dou sugestão para novo nome do site: Folha do Seu Paulo ou ainda Folha do Só Paulo. Quem sabe “Foiá de Spaul” (parece francês) ou ainda Folia de São Paulo. Poderia também ser apenas um palavrão FSP.

  24. 14/01/2011

    .

    Desculpem o estorvo, nao pude me omitir.

    Agora vou deixá-los em paz, antes que eu saia daqui pregando: “Abaixo a Liberdade!”

    Saludos,

    o\

    .

  25. 14/01/2011

    .

    Concordo, toda censura é burra mesmo. Inclusive aquela que induz as pessoas a erro, defendendo a ideia de que a censura é a propria liberdade de alegar perante a justiça. Nao sei qual das duas é mais injusta, ou burra.

    .

  26. paula
    14/01/2011

    Acho que o Martinho explicou muito bem quais motivos levam alguém a fazer um blog criticando a Folha. Assino embaixo.

  27. 14/01/2011

    Como historiador e advogado iniciante fiquei estarrecido com a notícia da censura. Não com a Folha, pois desde os tempos de faculdade ( final anos 80), falávamos que ‘a folha só servia para catar coco de cachorro’. um jornal que apoiou a ditadura, foi contra as ‘diretas já’ ( quando lula e brizola começaram a fazer comícios em 83), perseguiu brutalmente o governo Lula, não faz uma crítica aos 17 anos tucanos de são paulo, chamou a ditadura de ‘ditabranda’, publicou a ficha-falsa da Dilma. A folha é um lixo! Não tem a postura do Estadão ( de direita, mas ético). A Folha é a Sarah palin da imprensa brasileira: racista, preconceituosa, extremista, fascista e provinciana.
    Quanto ao assunto FAlha, fiquei pensando num filme que assisti outro dia “Um lance de gênio”, sobre a história do inventor do limpador de parabrisas, que teve seu invento roubado pela Foed. Imaginem que eu, revoltado, resolva fazer uma bicicleta e coloque o ‘logo’ da Ford alterado para ‘Fodi’. ( imagem no blog http://www.aldeiagiramundo.blogspot.com). Seria processado? Mesmo logo, palavras semlhantes. Porém trata-se de outro meio de locomoção ( bicicleta e carro) e outro sentido, com real função irônica. Toda censura é burra!

  28. 14/01/2011

    .

    Sem querer fazer os comentarios de chat, mas ja fazendo:

    Ricardo, sabe a mim o que deixa curioso? Que não há objeção ao blog detonar a Folha. A objeção é ao “uso” da marca.

    Já o nobre blog, lança mão do direito de alegar perante a justiça, para reservar-se o direito de condenar perante a sociedade. Neste caso o que deveria estar em questao seria a Justiça, nao a parte.

    Eu ainda prefiro a liberdade de alegar o que eu quiser. Já, julgar, é papel da Justiça.

    .
    “If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear.” (George Orwell)

  29. Ricardo
    14/01/2011

    Acho que cabe aqui a pergunta que o Lino possa responder….qual a razão da existência de um blog pra detonar a Folha de São Paulo? Fiquei curioso

  30. 14/01/2011

    .

    Paula, talvez um pouco de “retorica” fosse bom pra mostrar que é diferente uma pessoa sentir-se agredida moralmente, de uma empresa sentir-se agredida moralmente. Mas a “retórica” só esperneia mas não aponta para a injustiça, apenas se faz de injustiçada.

    .

  31. paula
    14/01/2011

    Eu prefiro ficar com a opinião do Repórter sem fronteiras e do Financial Times. Ambos não titubearam em identificar a ação como censura. Pra que dar tantas voltas? Se a Folha não quisesse censurar era só deixar o site no ar. Utilizar do judiciário contra um blog independente, seja pelo motivo que for, é usar de subterfúgio para censurar. Todas essas voltinhas retóricas são simplesmente, retórica.

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