Darth Otavinho
20 dezembro 2011
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Foi para denunciar esse tipo de comportamento que nasceu a falecida Falha de S.Paulo. Acredito que fomos censurados justamente por denunciar a parcialidade da Folha, por mostrar de forma bem-humorada que o jornal mente em seus editoriais e manual de redação ao dizer que não tem lado. Tem sim, e como. Isso ficou claro mais uma vez com o vazamento da crítica interna da Ombudsman do último dia 15/12. Contextualizando: além da coluna de domingo, Susana Singer, atual detentora do cargo, assina sempre uma crítica diária. Esse texto secreto costuma ser mais duro do que os dominicais e, apesar dos esforços da Folha e das ameaças que faz a seus contratados, costuma vazar, afinal é difícil guardar um segredo que chega por e-mail a centenas de jornalistas. A crítica interna era públicada até 2008 na internet. A transparência incomodava a direção do jornal (leia-se Otavinho Frias), que determinou o sigilo, fato considerado por muitos o pivô da saída de Mário Magalhães do cargo –o jornalista era defensor da publicação aberta.

Fica a dica de presente de Natal

No último dia 15, o colega Eduardo Guimarães recebeu e publicou a crítica interna em seu blog, em um belo furo. É um texto curto, porém revelador sobre como a Folha trabalha, ajuda a entender melhor como a salsicha é feita. O mote do texto era o silêncio do jornal sobre o livro Privataria Tucana. A obra, de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr. (ganhador de 3 prêmios Esso e com passagens por O Globo, Istoé, Correio Braziliense e Estado de Minas), vem sendo ignorada pela imprensa convencional, apesar de trazer denúncias seríssimas contra FHC e a família Serra, todas fartamente documentadas. A Folha (e, faça-se justiça, outros ditos “grandes” veículos) no máximo deram espaço para os acusados chamarem o livro de “lixo” e o autor de “bandido”. Apurar o conteúdo que é bom, nada. Mas deixemos Susana falar:
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15 de dezembro de 2011 – Crítica interna

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

por Suzana Singer

Ainda bem que a Folha deu a notícia sobre o livro “A Privataria Tucana” (A11). A matéria está correta, com o destaque devido, mas o jornal deveria continuar no assunto, porque há mais pautas no livro.

Exemplo: por que Verônica Serra e o marido têm offshores? Não deveríamos investigar e questioná-los? É já publicamos que Alexandre Bourgeois, marido de Verônica, foi condenado por dever ao INSS? É verdade que as declarações que ela deu na época das eleições, sobre a sociedade com a irmã de Daniel Dantas, eram mentirosas? Fomos muito rigorosos com o caso Lulinha, por exemplo.

Outra frente é a o tal QG de dossiês anti-Serra na época da eleição presidencial, que a Folha deu com bastante destaque. O livro conta coisas de arrepiar a respeito de Rui Falcão. Ao mesmo tempo, sua versão de roubo dos seus arquivos parece inverossímel. Seria bom investigar, já que ele faz acusações graves contra a imprensa, especialmente “Veja” e “Folha”.

Teria sido bom editar um “acervo Folha conta a história da privatização” para lembrar ao leitor que o jornal foi muito duro com o governo FHC. É um erro subestimar a capacidade da internet – e da Record – de disseminar a tese do “PIG”. E também seria bom esclarecer, com mais detalhes, o que é novidade no livro sobre esse período.

O Painel do Leitor só deu hoje uma carta cobrando a cobertura do livro. Eu recebi 141 mensagens. Quem escreveu hoje criticou a matéria publicada por:

1) ter um viés de defesa dos tucanos;

2) não ter apresentado Amaury Ribeiro Jr. devidamente e não tê-lo ouvido;

3) exigir provas que são impossíveis (ligação das transações financeiras entre Dantas e Ricardo Sérgio e as privatizações);

4) não ter esse grau de exigência em outras denúncias, entre as mais recentes, as que derrubaram o ministro do Esporte (cadê o vídeo que mostra dinheiro sendo entregue na garagem?);

5) não ter citado que o livro está sendo bem vendido
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Povo da Folha: chega de mentir e passar vexame. Façam como Estadão, Carta Capital e outros veículos do Brasil e exterior: ASSUMAM QUE VOCÊS TÊM PREFERÊNCIAS POLÍTICAS. É simples e indolor.

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PS: Como nossa audiência no prédio da Barão de Limeira é alta, fica o apelo: não só a crítica, mas toda informação interna da empresa nos interessa MUITO. Mande pra nós, garantimos absoluto sigilo de fonte.

1 Comentário

  1. 20/12/2011

    Lino,
    solidário a sua luta, eu faria uma correção no que você disse. Não basta a Folha assumir que é tucana. Parcialidade sempre haverá, e isso é inerente a tudo que é humano. Não há ponto de vista neutro. Ao contrário da Carta, porém, a “grande” e mesquinha mídia mente sem pudor, deturpa os fatos, acoberta notícias. Estadão incluso (e as TVs de forma muito mais escabrosa que os veículos impressos). No caso dessa encarquilhada mídia, o caso é de propaganda enganosa, lesão dos direitos do cidadão. Isso sempre foi assim, percebe-se agora. Apenas que o mais recente episódio marca uma mudança qualitativa, o momento em que essa mídia confessa-se cínica, mitômana, imoral, estelionatária. O que Folha e caterva estão a fazer é crime, não é parcialidade. Estão a por em prática a velha máxima de Goebbels: uma mentira repetida infinitas vezes torna-se verdade. Não é à toa que os Frias investiram com tanta violência contra você: é de violência que se alimenta o domínio exercido pela elite que essa mídia integra. Violência discursiva também.
    Saudações,

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